quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Um céu para os animais
Este blog não é dedicado aos animais, mas os últimos acontecimentos nos levaram a escrever um pouco sobre eles. No artigo anterior de autoria de Ana Flávia foi muito bem pontuado a posição que devemos ter em relação aos animais, independente da espécie. Ainda existe muito mal trato contra muitos deles. Quando a Ana Flávia me contou o caso do assalto na casa da prima dela, fiquei indignado com os ladrões por envenenarem um cão de pequeno porte que nem apresentava risco aos planos dos cretinos. O cãozinho ficou o dia inteiro mal e eu ainda comentei que se ele não tinha morrido ainda é porque o veneno talvez não fizesse tanto efeito. Esperança jogada no ralo, pois o cãozinho morreu.
Em casa tínhamos uma labrador chamada Tina; ela completaria este ano, 13 anos de idade. Os latidos dela já estavam fracos e nos últimos dias ela não estava conseguindo andar direito, no máximo arriscava a dar alguns passos. Preocupados, resolvemos interná-la para um check up. Três dias depois a veterinária ligou dando a notícia: Tina faleceu, principalmente por apresentar insuficiência renal. Bem, por mais que pareça horrível eu dizer isso, pra mim foi um alívio. Há muito tempo não tenho aproximação com animais de estimação porque não gosto de sofrer, não gosto de perder seres queridos. Nós humanos vivemos bem mais que os cães, isso nos leva a vê-los filhotinhos e anos depois, velhinhos sofrendo até a morte (na maioria), por isso há algum tempo abri mão de ter um. E eu ainda cheguei a comentar que se a Tina tivesse alguma doença, preferia vê-la sacrificada a vê-la sofrer em casa. Eu acho que as forças superiores providenciaram para que ela fosse poupada, mesmo porque ela viveu bem mais do que normalmente um cão da sua raça vive, pois foi muito bem criada e recebeu muito carinho desde que chegou. E era extraordinária. Quando emprenhava, dava luz a até 14 filhotes em cada parto (o que não é normal), foi uma ótima mãe, inclusive adotando outros animais que chegavam em casa, incluindo um gato. Foi a que mais viveu conosco depois do Brioche, um fox paulistinha que viveu 17 anos, sem dentes, com disfunções intestinais, operado umas cinco vezes e cego. Ele chegou a ser a marca registrada de nossa casa. Até hoje tenho cicatrizes de seus dentes quando ele me atacou, pois era ciumento demais e não deixava a gente se aproximar dos meus pais, que o tratavam como mais um filho, trazido em avião diretamente de São Paulo. Fazem parte da minha infância estas lembranças.
A verdade é que devemos pensar nos animais não como seres inferiores e sim como seres que também tem sentimentos, pra mim eles pensam e pensam muito bem, são espertos, inteligentes e sabe como agradecer, retribuir, colaborar, comportar, coisas que muitos humanos ainda não conseguem fazer em relação aos semelhantes. Se nascemos, crescemos, vivemos e morremos e os animais também seguem este ciclo, respiram, enxergam e demonstram seus sentimentos, pra mim obviamente que também possuem almas, então penso que algum céu deve existir para eles, quem sabe o mesmo céu que a gente. Quando digo céu me refiro em alguma vida posterior, pois não acredito que as coisas acabam aqui. Mas se existisse céu e inferno especial para os animais, tenho certeza que diferente dos humanos, o céu canino estaria bem mais cheio que o dos humanos, pois ao se colocar num balanço estes e aqueles, chegamos à conclusão que o pior animal, que faz mais maldades, atrocidades, crimes, etc. Com certeza é o ser humano. Que atire a primeira pedra quem não concorda comigo.
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